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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

QUALIDADE DE VIDA DO DOENTE COM DPOC


O QUE É?
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) resulta da dificuldade de passagem de ar para os pulmões, consequente a uma reacção inflamatória anormal dos pulmões por exposição prolongada ao fumo de tabaco, exposição profissional a poeiras e gases tóxicos, sendo estas as principais razões da resposta inflamatória dos pulmões que caracteriza a DPOC. Sabe-se que mais de 80% dos portadores desta doença são fumadores.
Os principais sintomas, que levam os doentes de DPOC, entre os 45 a 50 anos, a recorrerem aos serviços de saúde são a sensação de falta de ar e dificuldade em respirar, que se agrava com a actividade física do dia-a-dia (subir escadas, andar, baixar-se). São frequentes as infecções respiratórias, associadas a episódios de tosse com expectoração.
Com o aumento dos episódios de agravamento da doença, a respiração pode tornar-se difícil, com recurso constante aos músculos acessórios da respiração e ao franzir dos lábios na expiração. Algumas pessoas com DPOC têm dificuldade em eliminar a expectoração, principalmente quando têm gripes, constipações ou outras doenças pulmonares associadas. Estes sintomas interferem progressivamente nas actividades diárias da pessoa, indiciando cansaço fácil na realização das suas tarefas habituais, tornando-se esta cada vez mais dependente dos outros para as fazer.

EPIDEMIOLOGIA
Dados de um estudo, recentemente publicado pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia, revelam que a prevalência da DPOC em Portugal é três vezes superior ao que se pensava anteriormente. A taxa da doença, em adultos com 40 ou mais anos, era anteriormente de 5,3%, mas este estudo chegou à conclusão de que essa taxa é afinal de 14,2%, uma vez que existem muitos casos (assintomáticos) que continuam por diagnosticar.

DIAGNÓSTICO
O grau de obstrução das vias aéreas e a confirmação da doença são determinados através de uma espirometria – exame simples em que o paciente sopra para um aparelho que mede o volume de ar inspirado e expirado num determinado período de tempo.
Inicialmente, doente diagnosticado com DPOC, tem tendência a desvalorizar a gravidade que a progressão da doença pode representar para a sua saúde e principalmente para a sua qualidade de vida futura.

DPOC E QUALIDADE DE VIDA
Para melhorar o seu dia-a-dia o doente deve aprender técnicas para diminuir o trabalho respiratório e a obstrução dos brônquios (técnicas de cinesioterapia respiratória). No programa individual de reabilitação devem ser incluídas técnicas de relaxamento, exercícios respiratórios e treino dos músculos respiratórios. Para facilitar a eliminação da expectoração, o doente tem de ser ensinado a tossir de forma eficaz e executar técnicas de auto-drenagem de secreções como a percussão, declive postural uso do Flutter (dispositivo de ventilação mecânica em forma de cachimbo).
Numa fase mais avançada da doença é essencial controlar a respiração e treinar os músculos dos membros superiores. A utilização de técnicas de conservação de energia permite realizar as actividades de vida diária, embora num ritmo mais lento. 
Para tal o doente deve:

  • Abster-se de fumar;
  • Mudar a posição de realização de algumas actividades e adaptar o ambiente a essas mudanças (colocar objectos acessíveis sem ter de se baixar, colocar barras de apoio na casa de banho);
  • Eliminar actividades desnecessárias (usar um roupão de banho em vez de se secar com toalha, usar sapatos sem atacadores)
  • Solicitar auxílio quando necessário;
  • Organizar as actividades a realizar (alternar actividades mais pesadas fisicamente com as mais leves);
  • Fazer períodos de repouso ao longo do dia;
  • Organizar o local de trabalho e a casa, de forma a que os objectos permaneçam em sítios acessíveis (a uma altura entre a anca e a altura do ombro);
  • Andar devagar e evitar subir escadas;
  • Evitar ambientes com fumo, poeiras e substâncias químicas irritantes,  invertendo assim o percurso da doença;
  • Alimentar-se de forma variada e equilibrada (ajuda a manter a força e a combater as infecções);
  • Beber bastante água pois facilita a eliminação da expectoração;
  • Praticar uma actividade física regular, melhorando a força muscular, a função pulmonar e a sensação de bem-estar;
  • Não frequentar ambientes fechados;
  • Evitar o contacto com pessoas doentes;
  • Evitar ambientes frios e húmidos; 
  • Fazer uso das técnicas de relaxamento para controlar as emoções;

 A adopção dos comportamentos e actividades descritas interrompe o ciclo vicioso entre a dispneia (sensação de falta de ar), o condicionamento físico e a fraqueza muscular que geram limitações.

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sábado, 19 de fevereiro de 2011

DOENÇA DE PARKINSON - FAMILIARES E CUIDADORES

"Ter a certeza de poder contar com a família, não significa pertencer a uma família perfeita, onde tudo dá sempre certo. Significa, mais que isso, pertencer a uma família que se une em prol daquele que precisa, no momento que ele precisa.” (autor desconhecido)
Indiscutivelmente é através da família que se tem à oportunidade de desenvolver a afectividade, o aconchego e a proximidade das relações humanas. É também um lugar de conflitos, de aprendizagem, de reconhecimento de erros e de reconciliação. Pensar-se e sentir-se pertencente a uma família, possibilita à pessoa desenvolver referências que lhe conferem uma participação na vida social e da comunidade.
O Doente de Parkinson, assim como qualquer pessoa, necessita dessas referências familiares, pois é nela e nas atitudes vivenciadas na convivência familiar, que o mesmo vai recorrer quando procura um auxílio ou um suporte para o seu tratamento. É a partir de uma convivência familiar harmoniosa e afectuosa que o portador da Doença de Parkinson (DP) desenvolve a auto-estima para enfrentar os problemas de ordem física e emocional decorrente dos sintomas da doença.
Muito se tem discutido a respeito do papel da família e dos cuidadores no tratamento de portadores de doenças neurológicas, entre elas a DP. São inúmeros os desafios que se interpõem à tarefa de cuidar um ente-querido doente. É preciso saber cada vez mais, lidar com novas situações que se vão apresentando no quotidiano da família e do doente. Exige-se pois uma maior capacidade de relacionamento humano e trabalho cooperativo entre os membros da família, profissionais de saúde e cuidadores quando for o caso.

PRIMEIRO DESAFIO
Neste contexto familiar, o primeiro desafio consiste em dar o suporte afectivo e físico necessário através da atenção, da compreensão, da tolerância, e do carinho incondicional, por muitos anos, ao doente. E este desafio inicial começa na realização da primeira consulta médica com o neurologista. O diálogo entre o paciente, família e neurologistadeve ser franco, promovendo a relação terapêutica e de confiança. Cabe a este profissional diagnosticar, orientar e coordenar o tratamento em conjunto com os demais profissionais da área da saúde (enfermeiros, terapeutas e psicólogos), dos quais o doente irá necessitar a curto ou longo prazo.
O impacto emocional e a percepção do impacto físico, que o indivíduo sofre após a confirmação do diagnóstico, são enormes e podem ser devastadores. Os recém diagnosticados costumam negar a doença a todo custo. Por este motivo deve existir uma relação sólida, segura e de confiança entre o doente, a família e profissionais. Estes devem demonstrar estar efectivamente do lado do doente, animando-o, e reconfortando-o e dando-lhe apoio incondicional. Estes diálogos têm uma eficácia tão ou mais poderosa que os medicamentos para aliviar os sintomas depressivos do doente mas também da família. De acordo com a bibliografia médica, aproximadamente metade dos pacientes com DP sofrem de ansiedade e, no decorrer dos anos desenvolvem depressão. 

SEGUNDO DESAFIO
Após o diagnóstico e orientações do médico neurologista, o segundo desafio que o portador da DP e sua família devem vencer, é a realização do tratamento farmacológico, com o auxílio de terapias alternativas, orientados por profissionais que fazem parte da equipa multidisciplinar, tais como terapia de grupo, terapia ocupacional e, principalmente, com o suporte da psicologia. Como sabemos, a DP não atinge somente o sistema motor do indivíduo, mas também provoca transtornos psíquicos decorrentes das dificuldades físicas, mudanças neuroquímicas devido à deficiência de dopamina e alterações decorrentes da acção dos medicamentos utilizados.
Alguns desses transtornos emocionais podem acontecer devido às dificuldades de relacionamento com os familiares. O comportamento inconstante do doente é, para muitos desinformados, como pura birra, pois os efeitos dos medicamentos confundem os familiares e estes acham que o indivíduo está de má vontade. Segundo fontes médicas, como a lucidez está presente em 75% dos casos, a família acredita que as limitações do paciente sejam propositadas. Sentindo-se diminuído, o doente de Parkinson costuma não pedir ajuda a ninguém, querendo afirmar sua auto-suficiência. Se não estiver muito atenta, a família acaba por colocá-lo em risco.
O doente quer fazer tudo sozinho e esconde as coisas. Pode cair e, por orgulho, não conta a ninguém. Não conseguem tomar banho ou escovar os dentes correctamente e isso gera outros problemas de saúde. Por vezes não pedem ajuda e rejeitam o sentimento de pena.
Assim, o doente de Parkinson precisa de coragem, determinação e principalmente de auto-estima elevada para poder manter a sua independência física e mental.

TERCEIRO DESAFIO
E para que essa independência aconteça de facto, é necessário que o terceiro desafio seja vencido. É necessária a busca de informações confiáveis e de referências médicas que esclareçam:
  • Quais as causas da doença;
  • Quais os sintomas;
  • Quais tratamentos mais adequados;
  • Quais os medicamentos disponíveis no mercado para o tratamento;
  • Qual a composição dos medicamentos, (ler a bula que acompanha cada medicamento);
  • Quais os sintomas de uma medicação mal administrada (ter a certeza de que o doente não faz uso da auto-medicação);
  • Quais as limitações físicas impostas pela DP ao paciente;
  • Quais as melhorias físicas que devem ser realizadas no espaço físico da residência;
  • Qual a dieta alimentar indicada para que o indivíduo tenha uma boa qualidade de vida.
Também a organização do espaço físico da casa deve estar estruturado de modo a que os acidentes sejam prevenidos. Os utensílios de uso diário e roupas podem ter de sofrer algumas alterações, tendo em conta o estado físico e psicológico do doente:
  • Deve haver espaço para a circulação;
  • A mobília deve estar disposta de forma que o doente não esbarre em cadeiras, mesas ou fios soltos;
  • Se a casa tem tapetes, devem ser anti-derrapantes;
  • Pode ser necessário o uso de uma barra fixa na parede da banheira e próximo da sanita;
  • É aconselhável o uso de máquina de barbear (para os homens), máquinas depiladoras (para as mulheres) e escovas de dentes eléctricas;
  • O champô e o sabonete (que deve ser líquido) devem estar o mais acessíveis possível;
  • As calças devem ter elásticos na cintura;
  • As camisas não devem ter botões;
  • Os sapatos devem ter uma sola adequada que proporcione maior segurança ao caminhar;
  • Na cozinha, os utensílios devem ser inquebráveis;
  • É aconselhado o uso de palhinhas ou de chávenas que se possam fixar à mão;
  • A realização de trabalhos domésticos na cozinha deverá ser feita em cima de superfícies antiderrapantes.
Existem no mercado inúmeros utensílios que podem ser utilizados com vista a promover o máximo de segurança e independência do doente.
Também a prática exercício físico é fundamental para conservar a forma física e garantir a independência. A marcha, a natação, a hidroginástica ou a frequência de aulas específicas para os doentes de Parkinson são alguns exemplos de exercícios que os portadores da doença podem praticar, tendo sempre em atenção o grau de evolução da doença e o estado físico do doente.

QUARTO DESAFIO
A família tem como função fundamental exercer o cuidado, este é o quarto desafio a ser vencido por uma família que tem um familiar da terceira idade portador da DP.
Muitas famílias necessitam de parceiros para cuidar da pessoa idosa e doente. A busca desses parceiros aos quais chamamos “cuidadores” envolve muitas vezes um momento de angústia. Estes parceiros cuidadores deverão ter a devida qualificação para auxiliar as famílias. É necessário que todos (família e cuidadores) adoptem a mesma abordagem, de forma a seguir as orientações dadas pelos profissionais da saúde.
A prioridade é oferecer ao máximo as condições físicas e emocionais para que o doente tenha carinho, atenção, compreensão, afecto, auto-estima elevada e, principalmente, qualidade de vida para que se sinta integrado na comunidade.
Retoma-se, por fim, o pensamento exposto no início deste texto, segundo o qual, pertencer a uma família significa contar com o seu apoio, com seu carinho incondicional nos momentos dos conflitos físicos e mentais e, principalmente, contar os seus cuidados no momento da velhice e da doença, preservando sobretudo o respeito e dignidade pela pessoa humana.



segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O CUIDAR EM ENFERMAGEM


De acordo com Collière (1989), desde o início da história da Humanidade que o cuidar é imperativo no sentido de garantir a continuidade da vida do grupo e da espécie. Ao longo dos tempos o cuidar esteve implícito ao “Ser Humano” inserido numa comunidade. A Enfermagem nasce como a profissão que cuida do ser humano doente ou são, ao longo do ciclo vital e dos grupos sociais que se integra, de forma que recuperem e mantenham a saúde ao mais alto nível.
Com a valorização do “cuidar” na vida humana, emerge em 1890, a Enfermagem moderna com Florence Ninghtingale. Segundo a mesma, a Enfermagem é o “ […] cuidar a pessoa no seu todo e não apenas na doença”. Assim, o cuidar é considerado como uma forma de ser, como uma forma de se relacionar, como um imperativo moral e constitui a essência de Enfermagem. De acordo com Hennezel (1997, p. 173), “ Cuidar é hoje e continuará a ser, o fulcro da prática de Enfermagem, e por mais sofisticado que o desenvolvimento tecnológico venha a ser, a interacção pessoal será sem dúvida fundamental para a recuperação e manutenção da saúde e maximizar o bem-estar dos indivíduos, famílias e comunidades […]”.
Reflectindo sobre isto, para Cuidar em Enfermagem, não bastam actos tecnicamente correctos, mais ou menos diferenciados sendo também necessários aspectos de âmbito relacional simples ou complexos. Assim, o acto de Cuidar só terá verdadeiro sentido e significado se o Enfermeiro assim o desejar, dependerá dos conhecimentos mobilizados, da intencionalidade, do empenhamento e desejo que imprime a esse agir.